A inspiração que o abandonou há meses parecia ter voltado. "Talvez fossem os dias nublados", pensou referindo-se a estes novos tempos.
Aproveitou antes que o sol chegasse.
Pensou, como sempre fazia, em si e nos outros.
Decidiu rever manuscritos de histórias infantis.
Voltou atrás.
Decidiu musicar algum texto.
Difícil.
Decidiu escrever qualquer coisa.
Sobre o que?
Cheio de decisões e dúvidas, estava de volta.
Como nos bons tempos.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Abbey Road
Foi e voltou.
Suas mãos molhadas acendem a incerteza à frente.
Guiado, tenta pensar nisso. Só nisso.
Franze a testa.
É o sol.
Não só.
Suas mãos molhadas acendem a incerteza à frente.
Guiado, tenta pensar nisso. Só nisso.
Franze a testa.
É o sol.
Não só.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Segunda-feira
É o primeiro dia e ele não está cansado pensando nos outros quatro que ainda lhe faltam.
Franze a testa, olha para cima e seus olhos quase fecham com o brilho do sol.
Não dá sinais de uma noite mal dormida.
Não se sente triste, como todos ao lado, por aquele dia representar o início de uma semana cheia de trabalho.
Não esta triste.
Esta indiferente.
Franze a testa, olha para cima e seus olhos quase fecham com o brilho do sol.
Não dá sinais de uma noite mal dormida.
Não se sente triste, como todos ao lado, por aquele dia representar o início de uma semana cheia de trabalho.
Não esta triste.
Esta indiferente.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Tudo começa com um erro
(Pensativo)
- É, é verdade.
- Faz tempo. Não sabia direito. Poderia ter se resolvido naquela época, mas não. Aquilo que a gente deixa de resolver hoje amanhã volta.
- Mas faz tanto tempo assim?
- Ah, mais de 20 anos.
- Também... Acontece. Depende de como se encara.
- É, todos nós erramos. Foi um erro.
- ... Você não fica angustiado?
- Eu rezo. Tenho fé. Mas também... Pode não ser minha filha.
- É, é verdade.
- Faz tempo. Não sabia direito. Poderia ter se resolvido naquela época, mas não. Aquilo que a gente deixa de resolver hoje amanhã volta.
- Mas faz tanto tempo assim?
- Ah, mais de 20 anos.
- Também... Acontece. Depende de como se encara.
- É, todos nós erramos. Foi um erro.
- ... Você não fica angustiado?
- Eu rezo. Tenho fé. Mas também... Pode não ser minha filha.
terça-feira, 31 de março de 2009
O Escritor
A folha, ainda vazia. Cada vez menos, mas ainda com todas possibilidades.
Em meio à fumaça do cigarro que já queimava o filtro, a angústia pelo incompleto.
Medo por não completá-la.
Pensava na hora, no dia, em tempos, nos tempos.
Naqueles de onde poderia resgatar qualquer vida já perdida.
Já quase completa.
Sabia do isqueiro sempre ao lado e ficava tranquilo.
Ainda mais agora.
Completa.
Em meio à fumaça do cigarro que já queimava o filtro, a angústia pelo incompleto.
Medo por não completá-la.
Pensava na hora, no dia, em tempos, nos tempos.
Naqueles de onde poderia resgatar qualquer vida já perdida.
Já quase completa.
Sabia do isqueiro sempre ao lado e ficava tranquilo.
Ainda mais agora.
Completa.
segunda-feira, 30 de março de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
Come on, come on...
Cercado por 30 mil pessoas. Horas e horas em pé, sem comer, beber, nem nada. Um show já perfeito. Era o segundo bis quando, depois de House of Cards, a luz se apaga de novo. Fim de tudo. Triste. Não, mais triste ainda. No piano, Thom Yorke chama: "Come on, come on..."
Come on, Come on
You think you drive me crazy, well
Come on, Come on
You and whose army
You and your cronies
Come on, Come on
Holy Roman empire
Come on if you think
Come on if you think
You can take us all
You can take us all
You and whose army
You and your cronies
You forget so easy
We ride tonight
We ride tonight
Ghost horses
Ghost horses
We ride tonight
We ride tonight
Ghost horses
Ghost horses
Ghost horses
Come on, Come on
You think you drive me crazy, well
Come on, Come on
You and whose army
You and your cronies
Come on, Come on
Holy Roman empire
Come on if you think
Come on if you think
You can take us all
You can take us all
You and whose army
You and your cronies
You forget so easy
We ride tonight
We ride tonight
Ghost horses
Ghost horses
We ride tonight
We ride tonight
Ghost horses
Ghost horses
Ghost horses
Viagem
Mais um trecho de um texto, do mesmo deste aí de baixo. Acho que vai virar um livro. Quem sabe!
O chão estava molhado, mas as possas já estavam paradas. O cheiro do mar se intrometia revelando algo inesperado, misterioso. Em um suspiro com olhos fechados, os passos de milhões de pessoas vinham aos ouvidos. Sirenes de todos os navios, o tilintar de caixas, cargas, inúmeras, todas. Um turbilhão de um mundo limite que está pronto a mostrar outro totalmente novo. A sensação de algumas doses de álcool deixava eufórico o inesperado. Mais meio suspiro. Olhos abertos.
O chão estava molhado, mas as possas já estavam paradas. O cheiro do mar se intrometia revelando algo inesperado, misterioso. Em um suspiro com olhos fechados, os passos de milhões de pessoas vinham aos ouvidos. Sirenes de todos os navios, o tilintar de caixas, cargas, inúmeras, todas. Um turbilhão de um mundo limite que está pronto a mostrar outro totalmente novo. A sensação de algumas doses de álcool deixava eufórico o inesperado. Mais meio suspiro. Olhos abertos.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Trecho
Trecho de um texto...
(depois publico outros)
De volta ao apartamento, confirmei minhas suspeitas. Havia esquecido de trancar a porta. Aquilo me parecia bastante estranho. Sempre duvidava de alguns movimentos que me eram quase mecânicos. Como acentuar uma palavra ou fechar a janela antes de dormir. Em todas as vezes, a suspeita nunca se confirmava. Sempre acabava trancando a porta pela segunda vez, mas agora era diferente. A porta estava destrancada. Abri para dar uma última olhada, um último suspiro antes de caminhar até o trem. Meu espanto apenas aumentou quando percebi que a luz do banheiro estava acesa. Se não fosse pelo café forte que há pouco tempo havia tomado, jurava ainda estar na cama, sonhando. Apaguei a luz e tranquei a porta. Com duas voltas.
(depois publico outros)
De volta ao apartamento, confirmei minhas suspeitas. Havia esquecido de trancar a porta. Aquilo me parecia bastante estranho. Sempre duvidava de alguns movimentos que me eram quase mecânicos. Como acentuar uma palavra ou fechar a janela antes de dormir. Em todas as vezes, a suspeita nunca se confirmava. Sempre acabava trancando a porta pela segunda vez, mas agora era diferente. A porta estava destrancada. Abri para dar uma última olhada, um último suspiro antes de caminhar até o trem. Meu espanto apenas aumentou quando percebi que a luz do banheiro estava acesa. Se não fosse pelo café forte que há pouco tempo havia tomado, jurava ainda estar na cama, sonhando. Apaguei a luz e tranquei a porta. Com duas voltas.
Muito Prazer
Meu amigo só gosta do que ele chama de "música de homem". De coisas que eu nem me lembro o nome. Meu amigo pinta os olhos e de vez em quando as unhas. Meu amigo. Meu colega. O conhecido. O conhecido gosta de todas as combinações possíveis de sufixos e prefixos com as palavras trash e metal, mas nunca ouviu Beatles. Odeia Beatles. O conhecido não gosta de música do Brasil e torce pelo Internacional. Escreve letras em português porque não sabe inglês. O conhecido anda de preto e gosta de vocalistas com vozes demoníacas. O conheceido tem uma baita aliança de compromisso. Ele tem uma namorada. Não é muito feia. Ficaria mais bonita se pintasse os olhos.
Conhecido?
Conhecido?
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