quinta-feira, 6 de março de 2025

A (re)caída

 Quando eu não subia tão alto, o peso da culpa sempre foi menor.

Antes, então, ficar ao rés do chão.

Mas sozinho, porque a presença dos outros te eleva para o mesmo nível da culpa.

Da mesma culpa.

A qual carrego em altos e baixos.

Talvez o equilíbrio seja a solução. 

O meio.

O zero.

O nada.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Stall

Cada segundo
o tempo
deixa mais difícil.

Tudo se expande
e te chama
te prende
te corrompe
para não pedir nada.

Os olhos não param
procurando algo
sem nunca encontrar.

Não sabe o que falar
Ou o que desejar.

O que sonhar.

No momento
a sensação
deixa
sem ação.

Stall

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Relendo os escritos

Relendo os escritos
quantos sonhos
não existem mais!

Nunca foram possíveis.
Mas antes existiam.
Como sonhos.

Hoje não mais.

Quanto amor se doou e
quanta esperança se perdeu

Quantos planos foram feitos,
quantas conquistas foram sonhadas,
quanto tempo foi perdido.

Quantas pessoas perderam o rosto
e quantos rostos não surgiram!
Quanta espera agonizante
só para o nada existir.

Muito tempo se passou
e tudo ficou igual.

E os sonhos?

Esses não existem mais.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Redescoberta

Ele levou os dias
muitos deles
o tempo.

Silenciou as palavras
amarrando as mãos.

Tornou quieto o que pulsa
e transborda
ou tentou.

Buscou deixar tudo bem.

Ignorou os conselhos
ainda que poucos.

Então
No meio dos dias de tudo
Achou aquele nada.


Redescobriu.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Sem título

A boca está suja, imunda.
Escorrem palavrões pelos cantos, sem buscar alvos.
Enerva.
Como o conselho do professor.

É uma arma quente.
A boca, não a felicidade.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Redescobrindo

A chuva não para.
Inconstante
e sempre.

Os discos são os mesmos
Velhos
Sempre dizem algo 
novo.

O mundo está igual
O sonho acabou
E nada mudou.

Você já estava aqui
Anos antes.
Eu também.

Juntos, só agora
O cigarro do Japão
A desculpa passageira
O show indiferente

Para tudo mudar.

O mundo se fazendo
Se reconstruindo
Se descobrindo
De novo

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Sem título

Já faz tempo que fui embora
E que o resto pra mim é tudo
E que o resto afirma minhas pernas
Me deixa olhar pra cima
E respirar.

Já faz tempo que estou aqui
Buscando outras linhas
Vivendo o mundo inteiro
Sem nada a me dar.

Já faz tempo que a visão está pequena
Os olhos entreabertos
Para outra coisa enxergar.

Já faz tempo que o tempo nada muda
Como a voz que grita na rua
Outra pessoa em quem votar.

Já faz tempo que a palavra vai embora
Que a letra se desfaz em nota
Que a nota não mais a toca
Ainda que devagar.

Pensando

Nunca buscou uma rima
Nem para sua música que seria o maior sucesso
E nunca foi.

Mas pensava
Ao menos tudo colocava para fora.

Mostrava seus medos como nunca fez.
Ainda que a estranheza mais uma vez
lhe guardava dentro de si.

A dúvida era a mesma.

E viveu sempre assim

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sem título

Como no tempo
que só volta com o fechar dos olhos.
Eles ainda eram vivos
Todos eles
Os quatro.

O frio arranha de leve
E de fora o sol é invisível
Ela tem 20, não 60
Eu também.

Penso em não sentir mais nada
E tudo grita sem parar
E tudo brilha ao mesmo tempo
Mas de olhos fechados
O frio arranha de leve.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

invento

você já existiu
pra mim
eu acho

já tomamos uma cerveja
várias
com seu violão

sem tocar
até hoje
até sempre

eu me lembro
dos detalhes
e dos olhos azuis

do bar da augusta
das várias brahmas
de andarmos juntos

do violão nas costas
o seu
nas suas

da menina mutante
da menina que sonha
da menina que sempre
vai embora

que nunca
nunca
(mais)
me encontra

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Clichê

Procurei pela rua.
Nua.
Sem você.
  
Apertei os olhos.
Fechados.
Sem te ver.
  
Lembrei do segundo.
Meu mundo.
Com você.
  
Espera gelada.
Azul.
Nunca te ver.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Meu último copo.

Meu último copo.
Só ele e um livro de lembranças.
Invisível.
Fechado em mim mesmo.
Mais um gole.
E mais daquelas  histórias.
Todas elas.
Meu último gole.
E meu coração correndo, embaralhando as lembranças.
Meu último suspiro e o mundo indo, sumindo.

sábado, 14 de maio de 2011

Sozinho

Foi sem voltar, embora ele, a dois passos, tinha certeza dos olhos a dois palmos novamente.

"Sem nada", pensou e se equivocou.

Ainda sentia, ao esfregar o polegar em dois dedos, o cheiro da presença, agora tão distante.

Sua ebriedade lhe satisfazia, mesmo que somente entre seus dedos, tão invisível, tão sozinha.

Tão sozinho.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Paul Mccartney

Mãos na cintura e um olhar cansado, acompanhado de um suspiro que acentuava seus últimos instantes. No céu só papéis que intercalam suas faces com frenesi. A sensação do dever cumprido, do alivio de finalmente ter alcançado aquele instante.

Mas há tristeza, sim, a tristeza...

A solidão apertada, indigesta, cortante. A aflição.

O desespero e a angústia que não diminuiriam com nenhum grito, berro.

Havia acabado.

A grande distância de casa ou a segunda-feira de trabalho chegando, nada seria maior do que os sentimentos infinitos que se multiplicavam ao mesmo tempo.

Alegria e tristeza.



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Sem título

Pensava no que era pior.

Escrever palavras tortas, descuidadas.

Ou não ter o que dizer.

Acreditou no segundo, por isso começou.

E parou.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Janela

Olhou pela janela e descobriu como o mundo é bom.

E simples assim.

Sentiu o que por muito não sentia.

 Estava jovem.

Era jovem.

Sentiu o vento frio.

Gelado.

Fechou os olhos e seu corpo estrava frio.

Mas ao lado a tristeza do mundo de volta.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

18 anos

Os meus já faz 6 que se foram.

Antes, contava os dias para chegarem. Agora, lembro com pena dos anos que já se passaram.

Para uns é a carteira de habilitação, o carro novo.

Para todos, é a esperança de uma auto-afirmação e de todos aqueles clichês que rodeiam a idéia de liberdade.

Para os que já passaram, é ilusão.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O livro

Do alto, de longe.

Condensado, é um novo mundo.

Espera eu, você, todos.

Qualquer um.

Um corajoso ou um covarde.

O corajoso encara o desconhecido.

O covarde toma este novo mundo para si e deixa o seu perdido em alguma estante por ai.

(Esse estava no arquivo: "Textos inutilizados. Coloquei só porque mudei a última frase)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sem título

Negócio

Nega

Ócio

quarta-feira, 31 de março de 2010

O seu estilo

Um amigo confessa, entre cervejas e cigarros, que gosta mesmo é de som Indie. É a música nova de qualidade, diferente do que toca na rádio. Outra se orgulha em ser Indie. Se é Indie é bom.

Eu não sei o que é Indie.

Sei que a idéia de rotular tudo o que vem pela frente teve grande impulso nos últimos anos. Talvez porque hoje tudo é tão amplo, mas tão amplo, que é preciso criar diversos nichos e se enquadrar em um. Ai de quem está fora!

Isso, tenho certeza, não é a noção de um velho rabugento alheio a tudo de novo que a música apresenta. Pelo contrário. Gosto mesmo de Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, Racounteurs, que são bandas novas. Meus amigos podem dizer se são ou não Indies.

Enquanto converto a discografia dos Beatles de “Flac” para Mp3, pensei o que aconteceria se essa idéia de criar estilos musicais imaginários existisse na época. Só a discografia dos Beatles teria uns três – pelo menos – estilos diferentes.

A Wikipedia tenta diminuir um pouco minha ignorância no assunto:

Indie é um estilo musical que caracteriza bandas que não são lançadas por grandes gravadoras, porém o grande sucesso de algum desses grupos lançaram-nos diretamente para gravadoras de grande porte

Esse conceito é tão frágil que coloca Axé, Pagode, Rock and Roll e todo o resto nesse estilo Indie. Ora, quem não começa pequeno e, fazendo sucesso, consegue uma grande gravadora?

Tudo bem, a Wilipedia que não inspira lá grande legitimidade, bradarão meus dois amigos e alguns outros – poucos – solidários. Procurando mais a respeito, Indie parece ser um som independente de interferências externas à banda (gravadora, empresários, produtores), que remete a algo criado anteriormente e que tem como preocupação plena e assumida seu próprio som, ou seja, tem o fim em si mesmo.

A independência de interferências não caracteriza nenhum estilo, mas sim a intenção consciente de uma banda em manter uma mesma linha. Além do mais, é quase impossível ter uma banda sem qualquer interferência. O que os fãs acham de sua música? Quais suas opiniões e idéias que mudaram com o impacto que sua música causou?

Remeter a um som já criado anteriormente não serve para definir um novo estilo. Primeiro, tudo o que se constrói é baseado em algo que já foi criado, já que é impossível criar algo alheio ao seu contexto histórico. E segundo que isso é natural que ocorra em determinados estilos. Quem quer tocar rock and roll hoje em dia não tem como fugir de certa identidade musical já criada.

Por fim, e tão frágil como os outros pontos, a preocupação exclusiva com o som deve ser buscada em todos os estilos.

Não é difícil perceber que a definição de Indie esvai-se tão rapidamente quanto seu surgimento. Várias bandas surgiram tocando música boa, que remetia a algo que já existia e preocuparam-se em rotular de algum jeito.

Tendo um nome, o resto vem fácil.

Os Indies, então, existindo, são aqueles que gostam de filmes de Almodóvar e usam All Star e camiseta listrada. Quase um Emo sem franja.

Frágil, não é?

Um movimento musical é algo que vai além de tudo o que foi dito até aqui. O Punk, o Rock and Roll, esses sim foram movimentos. Foi preciso unir uma corrente musical nascente com um ideal a ser levado adiante. Era preciso revolucionar, ou criticar, acabar com o sistema, apoiá-lo, ser contra a guerra. Não importa. Importa a substância sólida que acompanha um som e que, assim, forma um movimento. Então é possível rotular um som de “Punk” ou “Rock and Roll”. Mas não de “Indie”.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O trabalho de fora

O barulho incessante incomodava quando sua atenção relaxava. Uma turbina, duas, três. “Melhor assim”, entendia lembrando-se do calor de fora.

O mundo além dos vidros era outra vida. Outras vidas. Os carros e ônibus não deixam no cruzamento um só espaço para os que passam a pé.

Um café preto, mal adoçado ajudava a recuperar seus sentidos, cada vez mais perdidos pela desatenção de outro mundo.

Agora, de novo, ao trabalho.

Sem título 2

De vez em quando ele gostava de ter a atenção de todos ao lado.
Outras vezes, anulava-se desligando o celular.
Muitas vezes sentia-se querido.
Sempre, sozinho.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sem título

Começo de sei lá o que...


O céu estava cinza e as nuvens um pouco mais escuras, em grande número. As folhas das árvores acenavam em um movimento orquestrado pelo vento frio e gelado. Resolveu sair sem saber para onde. Um, dois, três, quatro passos. Já havia começado, que fosse até o final.

Pensando no que havia deixado para trás, andou apressadamente. Viu o que sempre via. As proximidades de sua casa. Um pouco mais distante, seus passos diminuíram. Não pelo cansaço, mas porque agora pensava mais aliviado. Estava longe de todo o seu mundo e de todas as pessoas dele. Sem chaves, celular, carteira, nem nada que lhe pudesse causar algum desconforto.

Decidiu que dali em diante viveria assim.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Dúvidas

A inspiração que o abandonou há meses parecia ter voltado. "Talvez fossem os dias nublados", pensou referindo-se a estes novos tempos.

Aproveitou antes que o sol chegasse.

Pensou, como sempre fazia, em si e nos outros.

Decidiu rever manuscritos de histórias infantis.

Voltou atrás.

Decidiu musicar algum texto.

Difícil.

Decidiu escrever qualquer coisa.

Sobre o que?

Cheio de decisões e dúvidas, estava de volta.

Como nos bons tempos.

Abbey Road

Foi e voltou.

Suas mãos molhadas acendem a incerteza à frente.

Guiado, tenta pensar nisso. Só nisso.

Franze a testa.

É o sol.

Não só.